Hoje o MF tem a honra de servir de palco, para nosso querido amigo Lucas Medeiros, poder discorrer de forma brilhante Os Miseráveis.
Os Miseráveis
| Crítica
Não
tem aviso prévio. Quem entra na sessão de Os Miseráveis (título original Les Misérables) é imerso num mundo sem
rodeios desde o início da projeção. A cantoria já nos toma de assalto no
primeiro ato e assim segue ao longo das suas quase três horas de duração.
Como muitos sabem, a obra literária do escritor
francês Victor Hugo, na qual o filme se baseia, retrata a vida sofrida de
pessoas que viveram numa sociedade em crise e no epicentro da Revolução Francesa
na Paris do século XIX. Jean Valjean (Hugh Jackman) é condenado a 20 anos de
prisão após roubar um pão para alimentar seu sobrinho que passava fome. Ao
fugir da condicional, o oficial Javert (Russell Crowe) trava uma verdadeira
cruzada para capturar Valjean. Com o passar do tempo, Valjean assume uma
posição de destaque na sociedade, quando a demissão de sua funcionária Fantine
(Ane Hattaway) põe em cheque o seu senso de humanidade, fato que lhe coloca
novamente frente a frente com seu algoz e dá início ao seu processo de
redenção.
A difícil situação da protagonista Jean Valjean
já é retratada desde o começo, em uma situação de embate com seu grande
antagonista Javert. Uma relação conturbada regada a grandes emoções que têm em
si o eixo central da trama.
Alguns filmes às vezes retratam suas tramas
paralelas de forma meio solta, vaga e até
desnecessárias. Não é o caso destas aqui, todas as personagens são de
importância ímpar para a obra. Nada é enfeite e tem seus momentos áureos
igualmente marcantes. É fácil se identificar com algumas situações mostradas.
Seja pela força de Jean para se redimir dos seus pecados, seja pela luta
constante de Javert para aplicar os rigores da lei no forasteiro, seja pela
deserção do orgulho e da vaidade de Fantine para dar um futuro decente à sua
filha Cosette (Isabelle Allen e Amanda Seyfried) ou pelo vigor do nobre
revolucionário Marius (Eddie Redmayne) que luta para mudar o destino da sua
nação.
Lágrimas e soluços definiram o clima no cinema quando
Ane Hattaway desabafou – sim, essa é a palavra! –“I Dreamed a Dream” numa onda
de choro que eu nunca tinha visto. Sentimentos fortes que ultrapassaram a barreira da idade ou gênero, sem nenhum pudor, conduziram o grandalhão que
estava na poltrona da frente a chorar como um bebê. Numa cena posterior
protagonizada pela família aproveitadora de Cosette, o grandalhão se acabou em
gargalhadas. Não sei se ele tinha um sentimento aflorado demais para a
experiência cinematográfica, mas grande parte disso se deve à boa condução da
obra pelo diretor Tom Hooper (O Discurso do Rei, 2010) e também pela atuação do
núcleo cômico encabeçado por Thénardier (Sacha Baron Cohen) e sua esposa Madame
Thénardier (Helena Bonham Carter) que tomavam a cena cada vez apareciam na
tela.
Esse não é um musical que atende aos moldes a
que estamos acostumados. Os Miseráveis é, do começo ao fim, literalmente
cantado, salvas algumas cinco frases que são faladas no decorrer dos seus 158
minutos, no que, confesso, fazem falta em alguns momentos a necessidade de fala
e não de canto. Vale ressaltar que todas as canções foram gravadas ao vivo, o
que passa mais veracidade às atuações (onde costumeiramente vemos encenações) e
nos dispensa de playbacks perfeitinhos demais para soarem verdadeiros. Todo
esse esforço se reflete em suas 8 indicações ao Oscar 2013 nas categorias de
melhor filme, melhor ator (Jackman), melhor atriz coadjuvante (Hathaway),
melhor maquiagem, melhor figurino, melhor canção original, direção de arte e
mixagem de som.
Salvas as devidas proporções, num contexto de
Revolução Francesa, a grande revolução acontece em quem assiste. É difícil não
se emocionar ou se identificar em algum momento com as situações vividas pelas
personagens, onde a fala ganha melodia e o drama é consumido pelo belo. Uma
obra linda, uma história forte, atuações marcantes e final tão emocionante
quanto a necessidade de se ter um Javert para "justificar" a
grandiosidade de cada Valjean.
Trailler:
Ficha técnica:
·
Duração:158 min
·
Género:
Drama, Musical
·
Direção: Tom Hooper
·
Roteiro:Alain Boublil,
Claude-Michel Schönberg, Herbert Kretzmer,Victor Hugo,William Nicholson
·
Elenco:
Amanda Seyfried (Cosette)
Anne Hathaway (Fantine)
Eddie Redmayne (Marius)
Russell Crowe (Javert)
Aaron Tveit (Enjolras)
Adam Jones (Convict 4)
Adrian Scarborough (Toothman)
Andrew Havill (Cochepaille)
Andy Beckwith (Innkeeper)
Ashley Artus (Pawn Broker)
Bertie Carvel (Bamatabois)
Cavin Cornwall (Convict 1)
Colm Wilkinson (Bishop)
Daniel Huttlestone (Gavroche)
Dave Hawley (Convict 3)
Fra Fee (Courfeyrac)
Frances Ruffelle (Whore 1)
George Blagden (Grantaire)
Georgie Glen (Madame Baptistine)
Heather Chasen (Madame Magloire)
Helena Bonham Carter (Madame Thénardier)
Hugh Skinner (Joly)
Isabelle Allen (Young Cosette)
John Barr (Convict 5)
Josef Altin (Convict 2)
Julia Worsley (Head Whore)
Lynne Wilmot (Whore 2)
Marc Pickering (Montparnasse)
Mark Donovan (Portly Customer)
Michael Jibson (Foreman)
Natalya Angel Wallace (Young Éponine)
Norma Atallah (Mother Whore)
Patrick Godfrey (Gillenormand)
Richard Dixon (Mairie Officer)
Sacha Baron Cohen (Thénardier)
Sam Parks (Tall Customer)
Samantha Barks (Éponine)
Stephen Bent (Jailer)
Tony Rohr (Overseer)
·
Produtores:Bernard
Bellew, Cameron Mackintosh, Debra Hayward,Eric Fellner,Raphaël Benoliel,Tim
Bevan (I)
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Países de Origem: Reino Unido da Grã-Bretanha e
Irlanda do Norte
·
Estreia Mundial: 7 de Dezembro de 2012
Lucas Medeiros
Estudante de design e amante do cinema














Gostei muito Luqueenhas, esse filme é realmente maravilhoso!
ResponderExcluirE chorei também na versão da Anne de "I dreamed a dream" ♥
Valeu Emi! o/
ResponderExcluirSó eu que ainda não vi =/
ResponderExcluirtbm não vi, já saiu dos cines infelizmente :/ ps: quero mais resenhas deste designer cinéfilo e crítico! yay o/
ResponderExcluirEds, pode deixar que novos projetos estão em estudo. Aguarde, muitas novidades no MF!!
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